Será que o que você está tratando é mesmo depressão?

By 9 de janeiro de 2017Emoções e Comportamento
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Muitas vezes o que algumas pessoas rotulam como depressão é um sentimento de desânimo, desmotivação e pessimismo perante a vida. Causado por crenças e lentes com que se observa e interpreta o mundo e as relações.

Percepções pessimistas, de que as pessoas são ruins, o mundo é um lugar perigoso, e que nada vale a pena são. Sentimento de desamparo, e de que não há luz no fim do túnel. E acredite a depressão ligada a visão de mundo negativa, o remédio não vai curar.

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Uma breve mensagem para quem sofre ou convive alguém que sofre de depressão

Depressão, tristeza e visão pessimista da vida são situações diferentes mas, frequentemente confundidas.

É importante identificar a diferença para direcionar o tratamento, quando este couber. Afinal, todos ficamos tristes ou desmotivados de vez em quando.

Infelizmente o que acontece é que por qualquer motivo muitas pessoas procuram um médico e já solicitam por remédios. Não suportam ficar tristes, não suportam sentir ansiedade, falta de concentração, dificuldade em dormir, etc.

É verdade que medicamentos são grandes aliados nas situações críticas, quando a qualidade de vida da pessoa está comprometida, ou comprometendo a saúde mental das pessoas ao redor.

Mas, muitas pessoas vivem literalmente dopadas sem necessidade. Pois ingerem vários medicamentos, um para combater o efeito colateral do outro alimentando o círculo vicioso da autodestruição.

Não pensam, não procuram saídas, não enfrentam os obstáculos e passam a vida impotentes e utilizando muletas.

Mesmo que a medicação aplaque os sintomas, não existe almoço grátis. Todo medicamento cobra um preço do organismo. Seja efeitos colaterais ou dependência no médio ou longo prazo. Deve ser usado sim, em casos específicos e com muita responsabilidade.

De acordo com o psiquiatra e autor Paulo Dalgalarrondo, existem nove subtipos, de depressão dentre estes alguns realmente exigem medicação. Isso não significa que será para sempre.

1 – Episódio ou fase depressiva e transtorno depressivo decorrente

Sintomas: humor deprimido, anedonia (ausência de prazer), cansaço, diminuição da concentração e da auto -estima, idéias de culpa e inutilidade, disturbios do sono e apetite. Devem estar presentes por pelo menos duas semanas e não mais que dois anos de forma ininterrupta. O episódio pode ser considerado leve, moderado ou grave.

2 – Distimia

Depressão crônica muito leve que se inicia na fase adulta e persiste por vários anos. Sintomas: diminuição da autoestima, cansaço, dificuldade em tomar decisões ou se concentrar, mau humor crônico e sentimento de desesperança.

3 – Depressão atípica

Subtipo de depressão que pode ocorrer em episódios depressivos de intensidade leve a grave, em transtorno unipolar ou bipolar. Além dos sintomas depressivos gerais, ocorrem: Aumento no apetite (principalmente doces e chocolates) e ganho de peso, hipersomnia (excesso de sono), sensação de corpo pesado, sensibilidade exacerbada a “indicativos” de rejeição. Mudanças de humor, fobias e aspecto histrionico (teatralidade, exageros nas reações, afetabilidade).

4 – Depressão típica melancolica ou endógena – Ocorre lentificação psicomotora, anedonia (ausência de prazer), alterações no sono e no apetite, piora dos sintomas no período da manhã que melhora ao longo do dia e idéias de culpa. Este tipo de depressão é de natureza mais neurobiológica, ou seja, mais independente de fatores psicológicos.

5 – Depressão Psicótica – Depressão grave, no qual ocorrem associados aos sintomas depressivos, um ou mais sintomas psicóticos como delírio de ruina e culpa, hipocondria ou negação de orgãos, perseguição, alucinações.

6 – Estupor Depressivo- É um estado depressivo grave no qual o paciente permanece dias na cama ou sentado, em estado de catalepsia (imóvel; em geral rígido), ausência de resposta do ambiente.

7 – Depressão agitada ou ansiosa – É uma depressão com forte componente de ansiedade e inquietação psicomotora. O paciente queixa-se de angústia intensa associada aos sintomas depressivos; não pára quieto, insone, irritado, anda de um lado para o outro. Nos casos mais graves existe o risco de suicídio.

8 – Depressão secundária ou orgânica – Depressão causada ou fortemente associada a um quadro clínico somático, seja ele primeiramente cerebral ou sistêmico. Ligado a síndromes e doenças como lupus, hiper ou hipotireodismo, entre outros.

Fonte: Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais – Paulo Dalgalarrondo.

Fica aqui uma pergunta: afinal, o que exatamente você está tratando? Será que REALMENTE precisa de medicação?

Um bom psicólogo (a) poderá fazer a correta avaliação e encaminhar para um psiquiatra se necessário. Uma vez iniciado tratamento com medicação jamais pare por conta própria nem mexa na dose. Não faça intervalos na medicação porque acabou a cartela ou porque “já se sente melhor”.

Mas antes de pensar “tenho depressão e preciso de remédios”, avalie se não é o modo de encarar a vida que está te deixando deprimida (o).

Gisele Ventura Essoudry
Psicóloga e Coach
CRP 06/118106

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