O TEMPO E A HISTÓRIA DE CADA UM. PORQUE VOCÊ NÃO DEVE SE COMPARAR COM OS OUTROS

By 18 de setembro de 2016Emoções e Comportamento
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“Enquanto as outras pessoas estão encaminhadas, formando família, tem uma profissão, estou solteira, e começando minha vida profissional.”

“Estou tão preocupada…meu filho tem vinte e um anos e nem entrou na faculdade, vai ficar pra trás em relação aos colegas.”

“Já era para ter me aposentado, comecei a trabalhar tarde.”

“Fulaninha está grávida aos vinte anos, enquanto as amigas estarão se formando ela vai estar cuidando de filho, estragou a vida.”

Para tudo! Só de escrever estas linhas começa a me dar um mal-estar. Sim, porque por muito tempo pensei exatamente desta forma. A sociedade pensa desta forma.

Frequentemente recebo queixas no meu consultório de pessoas que sentem que “ficaram para trás”, que deveriam estar em uma determinada condição, e, que por erros cometidos por elas ou por outras pessoas estão irremediavelmente prejudicadas e só resta correr atrás do tempo. “Correr atrás do prejuízo”. Uma expressão que soa como um sacrifício, algo exaustivo e custoso. Já dá desanimo pensar em “correr atrás do prejuízo” não acha?

O tempo do relógio, do calendário não é o nosso tempo interno. A forma de computar o tempo foi criada pelo homem. A contagem do tempo nos dá um direcionamento.

Nada no mundo é desvinculado do tempo cronológico. As fases da lua, as estações, o ciclo da mulher, nossa fisiologia, a agricultura, a maré, etc. É inviável negar o fator tempo, mas nossa vida tem muitos fatores subjetivos, não tem como encaixá-la ipsis litteris dentro do padrão do tempo como é medido no calendário.

Cada ser humano vai construindo sua história a partir da sua cultura, da educação, do meio social, do seu psiquismo, das suas experiências, das oportunidades que lhe são dadas, enfim, são tantos fatores.

O que acontece é que muita insatisfação e sensação de fracasso é fruto de convenções a respeito de estipular idade para tudo. Entrar na faculdade, para arrumar estágio, depois emprego, para casar, ter filhos, para ter o segundo, o terceiro filho, para fazer pós graduação, mestrado, doutorado, para ter estabilidade financeira, para se aposentar, para conhecer o mundo, para aprender um idioma.

Muitas pessoas fazem um enorme esforço para se encaixar nestes padrões as custas de sacrificar a própria felicidade. Sendo que existem inúmeros fatores que não dependem única e exclusivamente de nós!

Mesmo tendo iniciativa e nos colocando como protagonistas das nossas vidas existem outros fatores que interferem nos nossos objetivos, nos nossos desejos, como: a economia, as pessoas que encontramos pelo caminho, os imprevistos, os desvios de rota. Ou, pode ser que aquilo que você almejava alcançar não era o melhor para você naquele momento.

Muitas conquistas vêm justamente depois de um amadurecimento, ou graças a certas experiências que você passou ou ainda vai passar. Às vezes é preciso errar muitas vezes para acertar. Ou percorrer um caminho mais longo se faz necessário para te proporcionar mais vivencia, mais repertório.

Você pode se formar aos vinte e um, casar aos vinte cinco, ter filhos aos vinte e oito, atingir estabilidade financeira aos trinta e se sentir infeliz com suas escolhas. Ou pode fazer tudo isso e se sentir feliz!

Pode bater uma crise e resolver mudar tudo. Ou permanecer onde está e depois superar. Ou não superar, e mergulhar em frustração.

Talvez tenha filho aos dezoito e entre na faculdade aos trinta. Ou, faça colégio técnico, ou mesmo cursos de menor duração e tenha uma profissão que te realize sem ter feito faculdade.

Pode ser que não se case e tenha filhos. Pode ser que se case e não tenha filhos. Ou nem se case e nem tenha filhos. E se está feliz assim, foi sua opção, tudo bem!

Pode ser que se aposente aos cinquenta e faça uma faculdade para começar uma nova carreira.  Ou resolva só viajar e curtir a vida. Ou, precisa trabalhar muito porque tem pessoas que dependem de você e não pode parar.

E sim, você pode mudar de ideia! Não, não estou estimulando a desistência. Mas, mudar de ideia conscientemente pode ser uma opção sim.

O que prejudica é essa rigidez de pensamento que temos que nos adaptar de qualquer jeito as convenções relacionadas ao tempo cronológico. As idades para isso ou para aquilo. Claro que tem que ter bom senso e responsabilidade pelas suas escolhas. Lógico que existem limitações fisiológicas para ter um bebê. E o fator idade conta no mercado de trabalho sim. Mas não estou falando de extremos. Nem de “deixar como está para ver como fica”.

E, tenha sempre em mente que o seu tempo não é igual ao tempo do outro. Você não é igual a ninguém e nem precisa ser. Não se sinta para trás porque outras pessoas da sua idade estão fazendo isso ou aquilo.

Sei que não é fácil pois somos acostumados a nos comparar, crescemos assim. Mas, não se compare mais com os outros. Siga o seu caminho. Com consciência, sempre.

Gisele Ventura Essoudry – Psicóloga clínica e orientadora profissional

Atendimentos na região da Ana Rosa – contato: contato@autentica.com.br ou inbox pela página do facebook autenticalab

CRP 06118-106

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